O projeto GENgiBRe foi lançado no dia 13 de Julho de 2021 por ocasião da 10ª "Troca de Saberes", evento organizado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Esta pesquisa-ação visa compreender a relação das mulheres envolvidas em agroecologia e movimentos feministas com a "natureza". É realizado em parceria entre o IRD - UMR CESSMA, a Universidade Federal de Viçosa (Brasil), o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM, Brasil), a Sempreviva Organização Feminista SOF (Brasil) e a Universidade de Toulouse (França).

(Re)ver o lançamento do projeto durante a "Troca de saberes", evento organizado pela UFV, no dia 13 de Julho de 2021 ⇒ cutt.ly/GENgiBRe

© Isabelle Hillenkamp

A agroecologia como prática feminina e feminista

A agroecologia pode ser entendida como uma prática, uma ciência e um movimento social. Enquanto prática, ela aplica princípios ecológicos, tais como o respeito aos ciclos naturais e o uso de recursos locais, ao manejo de agroecossistemas. As agricultoras e os agricultores que praticam agroecologia têm uma relação holística e sistêmica com a natureza, visando harmonizar o funcionamento do agroecossistema através de sua intervenção. O trabalho das mulheres na agroecologie é associado a um papel social de cuidado, significando que o trabalho das mulheres na agroecologia é parcialmente não remunerado e, como resultado, ainda em grande parte invisível, contribuindo para a reprodução das discriminações imbricadas de gênero, classe e raça.

Estas técnicas e práticas agroecológicas têm também um significado político, que adquire uma nova dimensão diante dos conflitos ambientais, cuja intensidade está aumentando sob o efeito da expansão do capitalismo financeirizado e da mudança climática e ambiental global. O que está em jogo é tanto a defesa dos territórios de vida quanto o reconhecimento social, econômico e político das mulheres.

GENgiBRe: uma pesquisa ação

O projeto de pesquisa GENgiBRe “Relação com a natureza e igualdade de gênero. Uma contribuição à teoria crítica a partir de práticas e mobilizações feministas na agroecologia no Brasil”, visa compreender a relação que as agricultoras agroecológicas têm com a “natureza” e o papel que esta relação pode desempenhar em seu engajamento em defesa da sua visão de território e contra as discriminações. Coloca a hipótese de que esta relação com a natureza é limitada por relações de poder entrelaçadas (de gênero, classe, raça...), ao mesmo tempo em que alimenta o mundo vivido (experiência, percepção da natureza através de trabalho, práticas e técnicas) das mulheres agricultoras agroecológicas. Destes processos, pode, sob certas condições, surgir uma identidade coletiva, assim como práticas e mobilizações em defesa da território e contra as discriminações.

No âmbito acadêmico, a originalidade da abordagem está no diálogo entre ciências sociais, ciências agrárias e ambientais e na posição, na intersecção da academia com os movimentos sociais. O projeto GENgiBRe se enquadra na teoria crítica ou ciência emancipatória: visa produzir conhecimentos que contribuam para as mobilizações sociais, neste caso feministas e agroecológicas, na intersecção entre a universidade, a sociedade civil organizada e os poderes públicos envolvidos neste tipo de transformação social.

Áreas de atuação

A pesquisa se concentrará em duas regiões do Sudeste do Brasil, o Vale do Ribeira (SP) e a Zona da Mata (MG), onde as instituições brasileiras parceiras desse projeto atuam, e que são regiões marcadas pela presença de importantes redes de agroecologia e organizações feministas, bem como de conflitos socio-ambientais.  

Em cada região, cerca de 20 mulheres agricultoras serão convidadas a participar do projeto. Dois comitês locais de pesquisa, um em cada região, também serão formados para discutir os resultados e as direções do projeto à medida em que ele for sendo implementado.

⇒ Saiba mais: www.gengibre.org
 

Quem somos ?

O projeto é financiado pela Agencia Nacional da pesquisa da França (ANR) e conta com a participação de organizações e instituições francesas e brasileiras como a Universidade Federal de Viçosa (Departamento de Economia Rural e Departamento de Solos, Brasil), do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM, Brasil), da Sempreviva Organização Feminista (SOF, Brasil), o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (laboratório Centre d’études en Sciences Sociales Sur les Mondes Africains, Américains et Asiatiques – CESSMA, França), Universidade de Toulouse (laboratório DYNAMIQUES RURALES, França).

 

Logos des partenaires - GENgiBRe

 

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