No dia 6 de fevereiro, pesquisadores do IRD e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal da Amazônia (UFAM) publicaram um artigo na revista internacional Remote Sensing sobre o uso de dados espectrais de sensoriamento remoto para estimar o carbono dissolvido nas águas do Rio Negro, na Amazônia.

Contexto

© Jean-Michel Martinez

Os fluxos de carbono transportados nos hidrossistemas (rios, lagos de inundação e represas) para os oceanos são significativos e da mesma ordem de grandeza de outros componentes antropogênicos do ciclo global do carbono, como as emissões induzidas pelo desmatamento.

Esses fluxos de carbono aquático ainda são muito pouco compreendidos e foram constantemente reavaliados pela comunidade científica nos últimos quinze anos.

A maior parte desse carbono vem da produção terrestre primária (fotossíntese) e, portanto, representa fluxos de CO2 atmosférico transferidos para o ambiente aquático. Portanto, uma melhor medição desses fluxos em rios e lagos tornou-se essencial para quantificar corretamente o ciclo de carbono entre a atmosfera, os continentes e os oceanos.

Os dados disponíveis sobre esse carbono aquático ainda são muito incompletos, e os dados de satélite surgem como uma ferramenta importante para complementar e ampliar os recursos de observação das redes de medição in situ.

Conteúdo do estudo

© Jean-Michel Martinez

Este novo estudo, intitulado "Estimativa da matéria orgânica dissolvida colorida no Rio Negro, bacia amazônica, usando dados de sensoriamento remoto in situ”, contribui para o desenvolvimento do monitoramento por satélite dos fluxos de carbono aquático dos continentes para os oceanos. Ele apresenta e analisa diferentes modelos radiométricos bio-ópticos para estimar o coeficiente de absorção de luz pela matéria orgânica dissolvida colorida (aCDOM) presente nas águas amazônicas usando dados de refletância de sensoriamento remoto in situ adquiridos durante várias expedições à Amazônia.

O desenvolvimento desse tipo de modelo é essencial para poder quantificar com precisão os fluxos de carbono dissolvido a partir de dados de refletância de sensoriamento remoto, e abre a possibilidade de usar séries temporais de imagens de satélite para monitorar sua evolução.

Jean-Michel Martinez (IRD UMR GET) observa que esses resultados inovadores são fruto da cooperação de longo prazo entre o IRD e a UFAM, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB) como parte do Serviço Nacional de Observação HYBAM, que opera na Amazônia há 20 anos. Os dados da rede HYBAM são usados para calibrar e validar produtos de satélite para uma ampla gama de aplicações. “Ao integrar dados de satélite com aqueles produzidos por redes de medição in situ, como a HYBAM, esperamos quantificar melhor os fluxos de carbono e suas fontes para monitorar o impacto das mudanças climáticas e do desmatamento no maior bioma de floresta tropical.” afirmou o pesquisador.

Autores :

  • Rogério Ribeiro Marinho (UFAM)
  • Jean-Michel Martinez (IRD UMR GET)
  • Tereza Cristina Souza de Oliveira (UFAM)
  • Wagner Picanço Moreira (UFAM)
  • Lino A. Sander de Carvalho (UFRJ)
  • Patricia Moreira-Turcq (IRD UME GET)
  • Tristan Harmel (CNRS UMR GET)