Em tempos de pandemia, é cada um na sua casa? Graças à tecnologia, podem ser realizados milagres, incluindo encontros entre turmas e  pesquisadores numa sala virtual para um diálogo ciência-sociedade. Retrospectiva destes encontros realizados com o LMI Tapioca no âmbito do projeto FrancEcoLab Brasil.

Science dans les écoles, le LMI Tapioca dans FrancEcoLab Brésil 2021

© Ambassade de France au Brésil, projet FrancEcoLab Brésil 2021

Os peixes do oceano estão contaminados por microplásticos? E os peixes do rio? Qual foi o impacto da pandemia de covid-19 sobre a poluição plástica? Quais peixes são coletados para serem estudados no laboratório? Como é que a pandemia afetou a pesquisa científica?

Muita curiosidade e perguntas interessantíssimas ! Este é o mais bonito resultado dos encontros realizados no mês de Junho entre Anne Justino e Guilherme Ferreira, ambos pesquisadores da Universidade Federal do Pernambuco (UFRPE) e, membros do LMI Tapioca (IRD, UFPE, UFRPE), e turmas do ensino fundamental e médio, em aproximadamente 30 escolas de todo Brasil. Nesta saga, Anne e Guilherme tem compartilhado a sua visão sobre problemas que afetam os Oceanos e a vida marinha, mas também sobre o dia a dia das ciências marinhas...

O intercâmbio teve lugar no âmbito do projeto FrancEcoLab Brasil, liderado pela Embaixada da França no Brasil, e com a ativa cooperação das escolas participantes. Foi também uma oportunidade para compreender melhor como funciona o ambiente marinho, o método científico e porque hoje em dia a pesquisa científica se interessa na contaminação.

Gratidão a Anne e Guilherme, às turmas, professores e professoras!

⇒ Saiba mais sobre o projeto FrancEcoLab Brasil 2021.

Quem são?...

Anne Justino é atualmente doutoranda em recursos pesqueiros e ciências marinhas, em co-tutela entre a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Universidade de Toulon (UTLN), França. O seu doutoramento centra-se no estudo de contaminantes em peixes, com o objetivo de compreender como ocorre a contaminação microplástica no gradiente estuarino, costeiro e oceânico. No dia a dia, ela identifica e quantifica a absorção de microplásticos pelos peixes, que vivem em diferentes ecossistemas marinhos (estuarinos, costeiros e oceânicos) com comportamentos ecológicos distintos. Anne é membro do laboratório Bioimpact (Laboratório para o Estudo dos Impactos Antrópicos na Biodiversidade Marinha e Estuarina) e do LMI Tapioca, onde participa nas atividades do grupo de divulgação e alcance científico, e do projeto MicroplastiX (JPI oceans) com uma equipe de pesquisadores de vários países que procuram compreender melhor a contaminação por microplásticos.

Guilherme Ferreira é oceanógrafo formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e é atualmente investigador na UFRPE. Dedicou o seu doutoramento ao estudo do ciclo de vida dos principais predadores nos ecossistemas de estuários tropicais, incluindo algumas das principais espécies de interesse econômico na zona costeira do nordeste do Brasil. Atualmente trabalha no laboratório Bioimpact. A sua pesquisa visa avaliar se as espécies que habitam no Oceano Atlântico profundo são susceptíveis à contaminação microplástica. O estudo se realiza utilizando coleções históricas armazenadas em alguns museus do país; ele tem uma questão muito específica para guiar o estudo: nas últimas décadas, existe uma relação entre o aumento do consumo de produtos feitos com plástico e o nível de contaminação das espécies?