Após um ano e meio de trabalho, o livro "Hidrologia da Amazônia vista do espaço: Avanços científicos e desafios futuros" foi lançado no Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos em Aracaju, Brasil, no dia 22 de novembro.

© Thiago Laranjeiras

Em 2020 um grupo de doutorandos e professores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH – UFRGS) lançaram a ideia de compilar estudos relacionados ao ciclo hidrológico da bacia Amazônica e ao sensoriamento remoto. Outros pesquisadores e colegas, principalmente do IRD e INPE, decidiram participar do projeto.

Durante a pandemia de COVID-19, cada grupo escreveu um capítulo sobre a importância da Amazônia para o desenvolvimento do sensoriamento remoto da hidrologia e as descobertas sobre a hidrologia da Amazônia vista do espaço.

O artigo foi escrito em 2021 quando diversos rios da bacia Amazônica passaram por uma das maiores cheias já registradas e o desmatamento e os incêndios aumentaram, para logo ser publicado no jornal Reviews of Geophysics (Fassoni-Andrade et al. (2021), Amazon hydrology from space: scientific advances and future challenges, Reviews of Geophysics, 59, e2020RG000728), no qual o IRD desempenhou um papel importante.

Recebeu grande atenção da mídia na Europa, nos EUA (articulo EOS), e até mesmo no National Geographic Brazil.

Foi com base nesse artigo que os pesquisadores decidiram publicar um livro em português para atingir um público brasileiro e de língua portuguesa mais amplo, incluindo os da Amazônia.

 

Contexto :

© Thiago Laranjeiras

Durante as últimas décadas, enquanto a bacia Amazônica esteve no centro das discussões científicas internacionais, o entendimento da hidrologia amazônica coevoluiu com outro campo inovador: o sensoriamento remoto do ciclo da água terrestre.

Nesse contexto, a bacia Amazônica tem sido um laboratório natural ideal para o desenvolvimento seminal de técnicas de sensoriamento remoto com o advento da observação da Terra por satélites.

Esses avanços têm fomentado a compreensão científica da hidrologia amazônica, dos ecossistemas e das mudanças ambientais em curso.

 

Resumo:

© Sebastião Salgado

Os autores apresentam uma extensa revisão das conquistas de mais de três décadas de avanços científicos sobre a hidrologia da bacia Amazônica utilizando o sensoriamento remoto. Destacam aplicações em que os dados de sensoriamento remoto podem ser usados para fomentar a compreensão do ciclo da água na Amazônia.

Os dados de sensoriamento remoto possibilitaram a compreensão de muitos aspectos da hidrologia da região. Embora o uso de dados fluviais tenha permitido a identificação de secas e inundações desde o início dos anos 1900, o uso de satélites ajudou a identificar as tendências recentes das chuvas e outros componentes do ciclo da água.

Foram reunidos nesse livro os especialistas em sensoriamento remoto de diferentes processos hidrológicos da bacia Amazônica para rever tópicos específicos e discutir caminhos para os avanços científicos, assim como as oportunidades que moldam essa área para as próximas décadas.

© Bernardo Oliveira

Essas revisões levaram em conta variáveis do ciclo hidrológico, como precipitação, evapotranspiração, elevação e extensão de águas superficiais, topografia da planície de inundação e dos canais fluviais, qualidade da água armazenamento total de água e de águas subterrâneas, que são apresentados em capítulos separados.

O que foi aprendido e desenvolvido para a Amazônia pode contribuir para que o conhecimento científico e metodológico alcançado seja aplicado a outras grandes bacias tropicais do planeta. Agora e urgente avançar na aplicação dessas técnicas para entender as mudanças ambientais e auxiliar os tomadores de decisões.

Organizadores:

  • Alice César Fassoni-Andrade Instituto de Pesquisas Hidraulicas,
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Brasil.
  • Ayan Santos Fleischmann Instituto de Desenvolvimento Sustentavel Mamiraua, Tefe, AM, Brasil.
  • Fabrice Papa Laboratoire d’Etudes en Geophysique et Oceanographie Spatiales (LEGOS), Université Toulouse, IRD, CNRS, CNES, UPS, Toulouse, France.
  • Rodrigo Paiva Instituto de Pesquisas Hidraulicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Brasil.
  • Sly Wongchuig Laboratoire d’Etudes en Geophysique et Oceanographie Spatiales (LEGOS), Universite Toulouse, IRD, CNRS, CNES, UPS, Toulouse, France.
  • John Melack Earth Research Institute, University of California, Santa Barbara.

 

Parceiros:

Esse livro só foi possível graças ao apoio da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD – Brasil).

A foto que ilustra a capa do livro foi cedida generosamente pelo fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.