Para marcar o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, descubra como a agroecologia se tornou a ponta de lança das mulheres brasileiras no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo. Na forma de um podcast produzido por Marina Yamaoka como parte do projeto de pesquisa GENgiBRe, ouça essas protagonistas da mudança descrevendo sua luta, compartilhando suas experiências e testemunhando os principais conflitos socioambientais enfrentados por elas, suas famílias e suas comunidades.

No Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, as mulheres são responsáveis pelo manejo de hortas, pomares, hortas e sistemas agroflorestais, além de garantir a alimentação e a saúde de suas famílias por meio de seus produtos. Esse papel, que lhes é socialmente atribuído, faz com que elas sejam as primeiras a observar as mudanças que afetam seu ambiente, tanto do ponto de vista ecológico quanto da saúde. No entanto, por serem mal remuneradas, num contexto em que os homens ocupam uma posição amplamente dominante, as mulheres permanecem invisíveis e silenciadas.

O projeto de pesquisa GENgiBRe tem como objetivo compreender a relação que as mulheres agricultoras agroecológicas têm com a "natureza" e o papel que essa relação pode desempenhar em seu compromisso de defender sua visão da terra e combater a discriminação. Como parte disso, uma série de entrevistas foi realizada durante a Caravana Agroecológica e Feminista, uma jornada política e científica genuína para conhecer membros da comunidade e entender como a mobilização surgiu.

Agroecologia, no cruzamento de ciência, tecnologia e questões sociais

Nessa região, a mineração e o setor agroalimentar exercem enorme pressão sobre os ecossistemas. Além da destruição mais visível, como o desmatamento, há a contaminação invisível da água, do solo e do ar, o que leva a problemas de saúde e doenças. A implementação de uma abordagem agroecológica significa repensar os métodos de produção e alimentação para construir um modelo que respeite mais os ecossistemas e seja mais ético. Trata-se de um conceito que combina um conjunto de práticas agrícolas e alimentares, uma ciência e um movimento social.

 

A agroecologia, como ciência, busca entender como funcionam os ecossistemas, a biodiversidade, os recursos e os processos biológicos. Ela ajuda a informar as práticas, que têm como objetivo integrar técnicas que possibilitem um controle sustentável que respeite o meio ambiente. Por fim, em sua dimensão social, a agroecologia envolve todos os atores da cadeia (da produção ao consumo) para garantir um desenvolvimento econômico e social ético e sustentável.

Entender como as comunidades se mobilizam, especialmente as mulheres

As práticas agroecológicas foram implementadas pelas mulheres do Vale do Ribeira em um cenário de conflito ambiental com essas indústrias, especialmente a mineração, que também são fontes de maior exposição à violência e à exploração sexual.

« Rivières de la vie du territoire » : matériel produit par le projet et discuté durant la Caravane.

© Marina Yamoaka

Ao reunir testemunhos de mulheres e de toda a comunidade - de homens a autoridades públicas - o projeto GENgiBRe tem como objetivo produzir conhecimento que contribuirá para uma melhor compreensão da resistência e da mobilização social, nesse caso feminista e agroecológica.

O objetivo da mobilização das mulheres é defender os territórios em que vivem e garantir seu reconhecimento social, econômico e político, enquanto as empresas extrativistas prometem oportunidades como emprego e renda aos homens, considerados chefes de família. Essas questões geram relações complexas entre mulheres e homens, entre as populações e a natureza, e em relação a outros atores e processos econômicos e políticos da região.

Escutar o podcast

O podcast contém 3 episódios, cada um com duração de 15 a 18 minutos.

  • Produção: Marina Yamaoka, com a colaboração da equipe do projeto GENgiBRe e da Casa do Povo de São Paulo, parceira da Caravana.
  • Tradução para o francês: Timothée Narring.
  • Dublagem: Emmylou Baubat e Vitória Ortiz Alves.

Com o apoio do Consulado Geral da França em São Paulo, como parte da série "Entre a França e o Brasil: cooperação científica atual".

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Logo du projet de recherche GengibreO projeto GENgiBRe é realizado em parceria entre instituições acadêmicas e a sociedade civil, como parte de uma colaboração franco-brasileira.

 

Envolve pesquisadores, professores universitários e membros do pessoal de várias instituições: IRD-Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (laboratório Centro de Estudos de Ciências Sociais sobre os Mundos Africano, Americano e Asiático – CESSMA, França), Universidade Federal de Viçosa (Departamento de Economia Rural e Departamento de Solos, Brasil), do Centro de Tecnologia Alternativa da Zona da Mata (CTA-ZM, Brasil), da organização feminista SOF-Sempreviva Organização Feminista (Brasil) e a Universidade de Toulouse (laboratório DYNAMIQUES RURALES, França).

 

O projeto é financiado principalmente pela Agência Nacional de Pesquisa da França, para o período de março de 2021 a fevereiro de 2025, sob a coordenação de Isabelle Hillenkamp (IRD).

 

 

Saber mais: gengibre.org