Resumo

O seminário “Patrimônios Imateriais Afro-ameríndios e Políticas Públicas na América Latina” aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de maio de 2022 e teve por objetivo colocar em diálogo estudiosos de diferentes áreas - artes cênicas, história, antropologia, entre outras - e diferentes inserções institucionais, com vistas a estabelecer futuras inciativa com impacto na difusão do conhecimento sobre a história e a contemporaneidade das expressões culturais afromeríndias no contexto latino-americano.

O seminário "Patrimônios imateriais Afro-Ameríndios e políticas públicas na América Latina" aconteceu dia 9, 10 e 11 de maio 2022.

Pensar a intercambialidade entre experiências africanas e ameríndias na América Latina sob o ponto de vista patrimonial marca a originalidade da iniciativa, buscando enfatizar possibilidades de diálogos epistemológicos com os detentores desses patrimônios e a potencial diluição da dualidade pesquisador/detentor. Refletir, também, sobre a potencia estética e artística dos patrimônios imateriais afro-ameríndios e questionar a sua apropriação artística contemporânea a luz dos segredos, muitas vezes religiosos, contidos nessas manifestações e dos seus respectivos planos de salvaguarda, será também um dos objetivos do seminário.

Busca também refletir sobre o boom de políticas públicas sobre a questão nos últimos 30 anos, seu impacto sobre as performances e a agência política dos detentores, bem como para a difusão do conhecimento sobre o tema através da construção de iniciativas digitais, bancos de dados, inventários e mapeamentos.

Encontre os três dias assim como a ata embaixo.
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Mesa 1, Patrimônios Imateriais afro-ameríndios e políticas públicas na América Latina

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Mesa 2, Patrimônios Imateriais afro-ameríndios e políticas públicas na América Latina

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Mesa 3, Patrimônios Imateriais afro-ameríndios e políticas públicas na América Latina

Mural digital

Como resultado do seminário, esse mural digital apresenta as iniciativas de valorização de patrimônios imateriais Afro-Ameríndios por membros da rede, na América Latina. Estão presentes aqui manifestações do Brasil, da Colômbia, do Haíti, do Perú e da Argentina.

Para toda iniciativa, indicamos a(s) pessoa(s) que apresentou(aram) a iniciativa no âmbito do seminário. Essa lista não é exaustiva, e certamente crescerá.

 

Projetos vinculados à Universidade Federal Fluminense (UFF)

Acervo do Laboratório de História Oral e Imagem, Labhoi

O Labhoi se define como rede de pesquisa que pretende ter em vista a pluralidade institucional, no Brasil e no exterior, da maioria dos seus integrantes. O laboratório está formalmente instalado como grupo de pesquisa na Universidade Federal Fluminense (UFF), na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e desenvolve projetos em três linhas de trabalho: Memória, Áfricas, Escravidão; Fotografia Arte, Mídias; Américas, Política, Comunidades.

Dentro do Labhoi, se estudam e valorizam vários patrimônios imateriais. Na linha de pesquisa “Memória, Áfricas, Escravidão”, cabe destacar :

  • “Passados, Presentes. Memórias da escravidão no Brasil” apresentado por Hebe Mattos, Martha Abreu (UFF) e Keila Grinberg (Universidade de Pittsburgh). O tráfico atlântico de africanos escravizados para as Américas é considerado pela ONU como um crime contra a humanidade. O Estado brasileiro, nascido em 1822, teve responsabilidade direta nesse processo: da terrível travessia à violência da escravização em terras brasileiras. Apesar disso, a presença africana no Brasil deixou um legado cultural inestimável, hoje oficialmente reconhecido em diversos patrimônios do país, entre os quais o Jongo
  • A iniciativa do festival internacional do filme de pesquisa “História pública da escravidão e liberdade”, apresentado por Hebe Mattos e Martha Abreu aberto a qualquer pessoa que realize pesquisas na área de ciências humanas e sociais sobre o tema do tráfico, da escravidão, suas memórias e legados, e que utilize o meio audiovisual para divulgar os resultados de sua pesquisa. Ele tem também como objetivo incentivar, divulgar e promover as produções filmográficas que abordem estas questões.

Identidades do Rio

O Projeto Identidades do Rio, apresentado por Martha Abreu tem como proposta refletir sobre a memória social e cultural do estado do Rio de Janeiro, considerando sua pluralidade, tomando a circulação e as trocas culturais, nas diferentes cidades e regiões, como questões-chave para pensar em novas bases a identidade estadual e para propor intervenções na área de preservação e educação patrimonial a partir da criação do Identidades do Rio. Neste site disponibilizamos instrumentos e acervos de pesquisa, informações e atividades para um público amplo que abrange pesquisadores, professores, educadores, alunos, agentes culturais e lideranças comunitárias.

 

Patrimonialização da Capoeira

A Roda de capoeira tem sido reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2014. No website da organização, "a roda de capoeira é uma manifestação cultural afro-brasileira – simultaneamente, uma luta e uma dança –, que pode ser interpretada como uma tradição, um esporte e até mesmo uma arte. [...] É um lugar onde o conhecimento e as habilidades são aprendidas por observação e imitação. Também funciona como uma afirmação de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos, além de promover a integração social e preservar a memória da resistência à opressão histórica."

Neste sentido destacamos aqui algumas experiências que valorizam este patrimônio, as quais foram apresentadas durante o patrimônio:

  • A experiência de patrimonialização da Capoeira e o site criado entre a Universidade de Essex, a UKRI e o Labhoi, foi apresentada por Matthias Assunção (Universidade de Essex). O crescimento fenomenal da capoeira pelo mundo afora criou a necessidade de mais informação fidedigna sobre sua história e suas tradições. Nesse contexto, o objetivo é levar informação apoiada em fontes seguras e de pesquisa.
  • A experiência Capoeira dentro do Observatório do patrimônio imaterial do Sudoeste foi apresentada por Mestre Paulo Kikongo, que se propõe olhar para essa “prática múltipla, com difícil definição, embora fácil de se reconhecer”, enquanto patrimônio cultural (reconhecimento da Roda de Capoeira na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade ocorre em 2014)
  • Vivian Fonseca (FGV, UERJ) apresentou a experiência de Patrimonialização da Capoeira. Destacou a importância dos arquivos e do interesse de consultá-lo quando se fala de patrimônios imateriais. Nesse âmbito, o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) o qual nasceu com o objetivo de abrigar e produzir fontes documentais relevantes para a história do país.

 

Projetos vinculados à Unirio

Juliana Manhães (Unirio) e Zeca Ligiéro (UNIRIO, Decano do CLA, co-director do NEPAA) apresentaram experiência ligadas à Unirio:

  • Núcleo de Estudos de Performances Afro-Ameríndias (NEPAA) foi concebido para abrigar os estudos culturais afro-ameríndios iniciando no ano de 1998, valorizando tanto as performances sociais quanto as performances artísticas em suas relações com diversas comunidades e seus contextos históricos e políticos. Desde o início da sua existência como núcleo de pesquisa, ensino e extensão, na graduação e no Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas (PPGAC). Ao longo do período, a atuação do NEPAA ampliou-se ao privilegiar outras estéticas também não hegemônicas, organizando-se enquanto um Laboratório que agrega outros professores e seus respectivos trabalhos, abrindo espaços para pesquisa e criação de uma arte que se articula tanto com as tradições como com a contemporaneidade | Redes sociais
  • Produção audiovisual “Dona Mariana: a princesa turca da Amazônia”
  • Ver também o Coletivo Matuba
  • O NEPAA pertence a rede do Instituto hemisférico, fundado com professores da NYU e de toda América Latina que conecta pesquisadores, artistas e ativistas.

 

Patrimônio Imaterial do Sudoeste

O Observatório do patrimônio imaterial do Sudoeste, foi apresentado por Regina Abreu (Unirio), Alexandre Pimentel (IFRJ), Joana Ramalho Ortigão Corrêa (RiSU/PPGSA/UFRJ), Mestre Paulão Kikongo (Unirio). É formado pesquisadores/as e observadores/as de diferentes áreas de conhecimento. O observatório acredita na apreensão do campo patrimonial por ângulos e perspectivas variadas, numa abordagem interdisciplinar. As pesquisas se realizam em universidades, centros de pesquisa, instituições patrimoniais, museus e também de forma autônoma movidos pela paixão pelo Patrimônio Cultural.

As pesquisas são feitas em rede, articulando o conhecimento acadêmico com o conhecimento tradicional – gestado por aqueles/as que efetivamente são os/as protagonistas do campo patrimonial: mães de santo, benzedeiras, devotos, congadeiros, foliões, romeiros, sambistas, cantadores e muitos outros sujeitos, cujos modos de existência enriquecem o viver em sua diversidade.

Dentro do observatório, cabe destacar

  • O Fandango Caiçara, apresentada por Alexandre Pimentel (IFRJ), Joana Ramalho Ortigão Corrêa (RiSU/PPGSA/UFRJ). O fandango faz parte da vida social de comunidades caiçaras no litoral de São Paulo e do Paraná. É uma expressão cultural que envolve música, tocada com violas, rabecas, adufos; dança em pares e em roda, com sonoro sapateado feito com tamancos; e ainda improviso de versos. Sua prática é associada a diversão e socialização, em bailes ofertados como retribuição a mutirões de trabalho, em festas religiosas, no carnaval etc. Até os anos 1960, era mais comum  no ambiente familiar e comunitário dos sítios. O reconhecimento do fandango caiçara como patrimônio brasileiro pelo IPHAN, em 2012, foi um desdobramento da atuação de uma rede constituída a partir do projeto Museu Vivo do Fandango e de encontros e festas de fandango que se intensificaram desde a virada do século. Esta rede patrimonial, formada por fandangueiros, grupos de fandango, associações culturais e  pesquisadores tem como propósitos centrais incentivar a continuidade dos bailes e fortalecer a luta pelo direito das comunidades caiçaras ao seu território.
  • A experiência do jongo foi apresentada por Martha Abreu, membro do observatório. Em 2005, o Jongo no Sudeste foi registrado como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional por reivindicação de comunidades jongueiras. O registro resultou do processo de articulação das comunidades e de valorização do Jongo/Caxambu nos Encontros de Jongueiros e na Rede de Memória do Jongo, criados respectivamente nos anos de 1996 e de 2000.
  • A experiência Capoeira dentro do Observatório do patrimônio imaterial do Sudoeste foi apresentada por Mestre Paulo Kikongo (ver descrição acima em "Capoeira").

 

Museu do Samba

O Museu do Samba (Rio de Janeiro) foi apresentado por Desirée Reis (Museu do Samba). É uma organização social criada para valorizar e difundir a cultura do samba em todas as suas dimensões. O museu acredita na importância da salvaguarda dos valores ancestrais e da necessidade de preservação dos espaços de prática do samba, como lugares de sociabilidade e transmissão de saberes tradicionais.

 

Museu Afro-digital Bahia

O Museu Afro-Digital da Bahia, apresentado por Livio Sansone (UFBA), pode ser entendido como um lugar democratizante em que se produzem relações de alteridade, construções identitárias, isto é, de reconhecimentos e pertencimentos locais, regionais e nacionais. Pela sua própria natureza, é também um dispositivo de acesso fácil, dinâmico, gerador de interatividade, que espelha o cotidiano e a cultura de diferentes grupos sociais, de minorias étnicas, de grupos marginalizados que se reconhecem por meio de valores, tradições, pertencimentos locais comuns, memórias individuais e coletivas. Enquanto espaço conceitual, o Museu digital é, portanto, um lugar privilegiado que visa estimular o uso da memória social de minorias étnicas, de movimentos sociais, de memórias nacionais.

 

Escravidão e Cultura Negra em Pernambuco

Walter França (Membro do comitê de salvaguarda constituído pelo IPHAN, Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco Sedu-PE) apresentou experiências de revitalização da cultura Afro no Pernambuco, como:

  • O projeto de Laboratório de História Oral e da Imagem (LAHOI) da Universidade Federal de Pernambuco, conta com várias iniciativas como o  “Inventário Sonoro dos Maracatus Nação de Pernambuco” (LAHOI, FUNCULTURA, AMANPE, Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco,  Coco Produções) é uma ação de salvaguarda e preservação da diversidade musical existente entre os grupos de maracatus nação. O projeto gravou os diversos grupos de maracatus nação em atividade no estado de Pernambuco. Em meio ao processo de gravação, a equipe de pesquisa colheu dados para realizar um inventário sonoro dos maracatus propriamente dito, aplicando a metodologia desenvolvida pelo IPHAN, o INRC (Inventário Nacional de Referências Culturais).

Escutar : youtube.com/watch
Canal de Youtube do LAHOI

  • O website “Lugares de Memória da Escravidão e da Cultura Negra em Pernambuco” tem como objetivo marcar nas cidades de Pernambuco, e específicamente Recife, os lugares de memória da escravidão, já que eles são, muitas vezes, pouco visíveis. Dessa forma, qualquer pessoa que transita pela cidade encontrará parcas referências à história da escravidão e da cultura negra na região metropolitana do Recife: a estátua de Zumbi na praça do Carmo, a estátua de Solano Lopes no Pátio de São Pedro; o memorial aos maracatus representando Dona Santa na praça defronte à rua Vidal de Negreiros, a Igreja de Nossa Senhora do Rosários dos Homens Pretos, alguns baobás plantados em praças na cidade, a titulo de exemplos.

 

Museu Afro-digital Rio de Janeiro

O Museu Afro-digital Rio de Janeiro (Mauricio Barros de Castro, UERJ) tem por objetivo construir um acervo digital e exposições virtuais sobre as práticas daqueles que se identificam a si mesmos ou são identificados como afrodescendentes. A criação da Galeria Rio de Janeiro parte da importância do cidade e do estado do Rio de Janeiro em termos de construção de uma memória para a população negra ou afrodescendente. Não só é uma referência histórica e cultural, como também reúne instituições como a Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional, além de outras de ensino e pesquisa que vêm se dedicando ao tema. Busca-se, portanto, criar uma galeria digital, com perspectiva interdisciplinar, como espaço privilegiado para o encontro de diversos saberes sobre a chegada e permanência da população africana e de seus descendentes.

 

Folias de Minas e Iepha (Minas Gerais)

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, Iepha-MG, é uma fundação vinculada à Secretaria de Estado de Cultura que atua no campo das políticas públicas de patrimônio cultural. Cabe ao Instituto pesquisar, proteger e promover os bens culturais de natureza material e imaterial de Minas Gerais, em parceria com os órgãos municipais e federal. O Iepha-MG, em sua trajetória, vem ampliando a escuta junto aos coletivos de cultura e às comunidades locais fortalecendo a participação no reconhecimento do patrimônio cultural do Estado.

André Araujo (Doutourando UFJF e Université de Franche-Comté) apresentou As Folias de Minas, manifestação cultrual registrada como patrimônio cultural de Minas Gerais desde 2017. Também denominadas ternos ou companhias, as folias são manifestações culturais-religiosas cujos grupos se estruturam a partir de sua devoção aos santos como: Reis Magos, Divino Espírito Santo, São Sebastião, São Benedito, Nossa Senhora da Conceição, entre outros. Geralmente, são formados por cantadores e tocadores, podendo apresentar personagens, como reis, palhaços e bastiões, que visitam casas de devotos distribuindo bênçãos e recolhendo donativos para variados fins.

A tradição, de origem ibérica, faz parte das celebrações mais antigas e difundidas no estado de Minas Gerais e no Brasil, e, ao longo dos anos, foi se tornando um componente de considerável importância na construção do imaginário, identidade e memória individual e coletiva dos mineiros. As Folias reúnem em torno de si diversas práticas culturais, saberes, formas de expressão, ritos e celebrações, representando uma parte importante do patrimônio cultural mineiro.

 

Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-abolição em Minas Gerais

O Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-abolição em Minas Gerais foi apresentado Livia Nascimento (UNIFAL) e Ana Luiza da Silva Morais (UFSJ). O grupo tem como proposta a promoção de ações, eventos e divulgação de pesquisas científicas relacionadas ao período do pós-abolição, cultura negra, religiosidades, bem como atuação de homens e mulheres negras e suas mobilizações em território mineiro.

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  • “Emancipações e Pós-Abolição MG” é um canal YouTube, concebida como uma construção coletiva dos integrantes do Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-abolição em Minas Gerais. As atividades realizadas pelo canal estão alinhadas ao posicionamento político e educacional antirracista. As atuações e discussões abordadas pretendem atender tanto pesquisadores como professores da rede pública, alunos, movimentos sociais e comunidade externa >> youtube.com/c/Emancipa
  • Produção audiovisual, Dos grilhões aos guizos
  • Perfil do Instagram
  • Página do Facebook
  • Sobre a manifestação cultural da Congada, assista o diaporama de Retratos da Festa do Reinado de Oliveira (MG)

 

Patrimonialização “Bumba meu boi”, Maranhão

Izaurina Nunes (IPHAN Maranhão) apresentou a Patrimonialização do boi. O Bumba meu boi do Maranhão é uma celebração múltipla que congrega diversos bens culturais associados, divididos entre plano expressivo, composto pelas performances dramáticas, musicais e coreográficas, e o plano material, composto pelos artesanatos, como os bordados do boi, confecção de instrumentos musicais artesanais, entre outros. Em todo seu universo, destaca-se também a riqueza das tramas e personagens. O Complexo Cultural do Bumba meu boi do Maranhão foi inscrito no Livro de Registro de Celebrações, em 2011. Em 2019, a manifestação popular recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

O boi da floresta foi apresentado por Talyene Melonio (UNIRIO, Mestra do Bumba meu boi da Floresta) e Juliana Manhães (UNIRIO).

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Chegança da Bahia

No âmbito da manifestação Chegança da Bahia, Rosildo do Rosario (Rede de Cheganças da Bahia, Mestre Chegança Fragata Brasileira) apresentou a Rede Chegança da Bahia, um o projeto que prevê a valorização, salvaguarda, resgate e celebração das Cheganças, patrimônio imaterial do Estado da Bahia desde 2019.

 

Pontos de Cultura

Licko Turle (UNIRIO/UFBA) apresentou a Rede latino-americana dos Pontos de Cultura,

Gilberto Gil, durante seu tempo como Ministro da Cultura (2003-2008) no primeiro governo Lula, fortaleceu muito o arsenal jurídico e administrativo do Brasil para a valorização do Patrimônio imaterial e criou o programa Cultura Viva. Assim, ele criou "pontos de cultura" (pontos de cultura 4204 de 2005 a 2014, segundo o site Minc) que permitiram o desenvolvimento de eventos culturais através de editais para projetos. Celia Corsino, ex-diretora de patrimônio cultural imaterial do IPHAN até abril de 2014, explicou em entrevista com Christine Douxami que existiam diferentes formas de ponto de cultura que podiam variar em termos de financiamento que recebem (60.000 reais por ano para pontos e 400.000 reais para pontão). De fato, há o Pontão de cultura, que também estava sujeito a editais, mas que só beneficiavam o patrimônio cultural imateriais com valores elevados em termos financeiros. Eles eram co-gerenciados pelo MINC e IPHAN. Havia também os Pontos indígenas administrados pela FUNAI, órgão responsável pela gestão das populações indígenas, e os Pontos de Bem Imaterial administrados pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus).
O Brasil tem sido um dos países latino-americanos muito envolvido neste desenvolvimento do patrimônio imaterial na época, particularmente com sua política de Pontos de cultura, desenvolvida graças ao apoio brasileiro em outros países, particularmente na Colômbia. O Programa Ibero-Cultura Viva, assinado em outubro de 2013 entre os diferentes países latino-americanos no Panamá, desejava promover o intercâmbio entre os diferentes pontos de cultura instalados nos países. Licko Turle nos contou sobre a situação atual dos pontos de cultura na America Latina.

 

Patrimonialização do Machete y Bordon - Colômbia

A Patrimonialização da manifestação Machete y Bordon foi apresentada por Alicia Castillo Lasprilla (Mestra). Essa manifestação faz parte do patrimônio Afro da região Cauca, no sul da Colômbia. A sua revitalização, em curso através de eventos e sensibilização, constitui uma reapropriação desse patrimônio por seus detentores.

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Danças tradicionais de Colômbia

Martha Ospina (Universidade distrital em artes, Bogotá) apresentou o Patrimônio Imaterial na Columbia, mais específicamente relações entre as Danças tradicionais e o Patrimônio.

 

Patrimonialização Cultural no Haití

A Patrimonialização Cultural no Haití foi apresentada por Aimé Kesler (Fotógrafo, LADIREP, Université d’État d’Haïti, Comite nacional haitiano de cooperação com a UNESCO).

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Patrimônio Afro na Argentina e no Perú

Noberto Pablo Cirio (Universidade Nacional de la Plata, UNLP) apresentou a Catedra Libre de Estudios Afroargentinos y Afroamericanos da UNLP.

Também apresentou o website Ritmos negros del perú, iniciativa que visa visibilizar a presença negra no país e as manifestções culturais que lá podemos encontrar. O projeto tem como notável resultado a longa metragem “Ritmos negros do Perú” a ser encontrada no site.

 

Patrimonialização em Cuba

A Patrimonialização do Palo Monte - Cuba

A Patrimonialização do Palo monte Dra. Suleidis Sanabria, Universidade de Estudios Internacionales de Hebei (República Popular de China) Patrimonialização do Palo Monte.

Jesus Guanche propôs uma seleção de textos com links para aqueles interessados nas questões do patrimônio africano em Cuba, no Caribe e nas Américas no arquivo embaixo.

Patrimônios Imateriais Afro-ameríndios e Políticas Públicas na América Latina, 2022

© Christine Douxami

Programa

  • Dia 9 de Maio, 09 às 13h (UTC -3): Live nos canais YouTube do Nepaa e da Unirio Cultura e na página Facebook do IRD @O IRD no Brasil. Você receberá o link para conectar como orador/a na plataforma StreamYard em breve.
  • Dia 10 de Maio, 9h às 12h (UTC -3): Presencial no CLA, Sala audiovisual, 4º andar da Unirio e nos canais YouTube do Nepaa e da Unirio Cultura e na página Facebook do IRD @O IRD no Brasil
  • Dia 11 de Maio, 9h às 12 h (UTC -3), reunião de trabalho sem público, para compartilhar experiências e pensarmos possibilidades de projetos em rede.

Seminário