Resumo

A conferência anual do comitê científico da rede PIRATA (Scientific Steering Group, SSG et PIRATA Ressource Board PRB) teve lugar de 10 a 14 de maio. Relatório sobre este evento e o estado da rede.

Mise à l'eau de la bouée Java, à 5200 m de profondeur.

© IRD - Grelet, Jacques

A conferência

A 24ª conferência de PIRATA, PIRATA-24/TAV foi uma oportunidade para toda a comunidade científica interessada no Atlântico tropical se encontrar e trocar ideias em uma perspectiva interdisciplinar (clima, atmosfera, oceano, linha costeira, biologia marinha e biogeoquímica). Inicialmente previsto para ter lugar em Miami, no laboratório AOML da NOAA, este encontro realizou-se em modo virtual, o que constituiu uma vantagem para a participação de colegas africanos e sul-americanos e jovens investigadores de todo o mundo.

O principal objetivo deste encontro anual é o acompanhamento técnico e científico da rede meteorológica tropical atlântica PIRATA, uma rede apoiada pela França, Brasil e Estados Unidos, os organizadores deste ano do evento.

O segundo objetivo dessa conferência era redigir e aprovar uma nova versão do Memorandum of Understanding (MOU), que é o compromisso contratual assinado pelos institutos responsáveis pelo programa PIRATA: NOAA nos Estados Unidos, o INPE no Brasil, o IRD e Météo-France na França. Estas quatro instituições têm-se empenhado em manter, consolidar e expandir a rede PIRATA desde 1997 e, através deste MOU, estão renovando este compromisso por um período de cinco anos.

Finalmente, a conferência definiu os membros dos dois comitês científicos. Os membros franceses do SSG durante mais de 5 anos são Bernard Bourlès (IRD, US IMAGO), Fabrice Hernandez (IRD, UMR LEGOS) e Hervé Giordani (Météo-France), a que se juntou este ano Jerôme Llido (IRD, UMR LEGOS). Os membros franceses do PRB acabam de ser renovados: Alexandre Ganachaud (IRD) foi substituído por Frédéric Marin (IRD, UMR LEGOS) e Hervé Roquet substitui Philippe Dandin (Météo-France).

O programa

O 1º dia foi dedicado aos mecanismos de interação entre o oceano, a atmosfera, o continente e os efeitos sobre a previsão do tempo e o clima. O 2º dia centrou-se nas interações com a biologia, biogeoquímica e impactos sociais; um dos temas abordados, devido aos elevados desafios sociais, foi o recrudescimento estes últimos anos dos sargaços ao longo das costas do Brasil, das Caraíbas, das Antillas e dos Estados Unidos. O terceiro dia centrou-se em eventos extremos, tanto ciclones tropicais devastadores como ondas de calor intensas no Verão. O 4º dia centrou-se no trabalho de modelos e ferramentas de monitorização e previsão. O último dia deu uma visão geral de todos os programas de observação no Atlântico tropical e dos seus desafios científicos, dos quais PIRATA é um pilar.

O estado da rede PIRATA

Cada um dos países envolvidos apresentou o seu relatório de atividades do ano passado, bem como as atividades planeadas, em particular as operações no mar, que são cruciais para a manutenção da rede. As reuniões foram uma oportunidade para discutir longamente as dificuldades atuais: uma zona de pirataria no Golfo da Guiné proibindo todas as operações, e mesmo impondo a deslocação de um dos ancoradouros existentes para uma zona mais segura, mas também o vandalismo recorrente das bóias localizadas na parte ocidental do Atlântico tropical, causando perdas significativas de equipamento, e tornando alguns ancoradouros inoperantes durante mais de 2 anos, o que representa uma enorme perda para a comunidade.

No entanto, a rede PIRATA tem um sucesso crescente, e para o Brasil, continua a ser o principal programa de observação oceânica. Finalmente, apesar dos cortes orçamentais de todos tipos, os três países signatários mantêm os seus níveis de financiamento para o próximo ano ao mesmo nível que nos anos anteriores.

O projeto PIRATA mantém uma rede de 18 bóias meteo-oceânicas para o acompanhamento em tempo real do clima do Atlântico tropical em locais selecionados. Este monitoramento fornece elementos adicionais para o diagnóstico e previsão sazonal do clima sob a dupla influência do oceano e da atmosfera. Ao analisar e assimilar os dados adquiridos nos modelos numéricos operacionais utilizados para a previsão climática, permite antecipar melhor a variabilidade climática nas regiões continentais vizinhas, tais como o Nordeste brasileiro.

As campanhas anuais dedicadas à manutenção das bóias, sujeitas a riscos ambientais, técnicos, ou de vandalismo são essenciais para a manutenção da rede e, consequentemente, das séries temporais de observação.