Inundações e secas extremas poderiam ser a nova norma para a Amazônia, colocando à prova sua população e seus ecossistemas. É isso o que os pesquisadores destacaram em um relatório escrito por Daniel Grossman e publicado na revista Science no dia 15 de fevereiro.

© Ayan Fleischmann

Daniel Grossman, jornalista científico especializado em mudanças climáticas, foi a campo para fazer uma reportagem sobre os eventos climáticos extremos que a Amazônia enfrenta.

Seu relatório apresenta os desafios atuais e futuros enfrentados pela região e conta, entre outros, com a participação de Jochen Schöngart, especialista em silvicultura, e Bruce Forsberg, ecologista, ambos do INPA e colaboradores do IRD, além de Ayan Fleischmann, hidrólogo do Instituto Mamirauá para o desenvolvimento sustentável de Tefé, et qui porte la JEAI AMAWE.

A situação climática na Amazônia está se tornando cada vez mais preocupante, com apenas alguns milímetros de chuva caindo em Manaus nos últimos meses, em comparação com quase meio metro no mesmo período em geral.

A seca atual coincidiu com uma série de ondas de calor que se estenderam por várias semanas. Em setembro e outubro, as temperaturas chegaram a 39°C, 6°C acima do normal.

Mas as secas são apenas parte das mudanças observadas. Há também grandes inundações frequentes, e os pesquisadores demonstraram que, há décadas, enquanto as baixas águas da estação seca vêm caindo, as águas altas da estação úmida vêm aumentando. Eles temem que essas mudanças se intensifiquem com o aquecimento do clima global. De fato, a modelagem climática sugere que a Amazônia passará por estações secas mais secas e estações úmidas mais úmidas nas próximas décadas, pois o aquecimento global altera as interações entre os oceanos e a atmosfera.

© Ayan Fleischmann

Ayan Fleischmann monitora as condições extremas que prevalecem na Amazônia Central, em Tefé, a 600 km a oeste de Manaus, que foi uma das regiões mais atingidas pela seca de 2023. Ele observa que a seca fez diminuir consideravelmente a superfície do lago Tefé. O baixo nível de água e a alta temperatura da água, próxima a 40°C, tiveram um impacto fatal na flora e na fauna, matando golfinhos e peixes e ameaçando a subsistência das comunidades que vivem ao longo do rio.

O relatório prossegue explicando os motivos dessas mudanças e como as causas imediatas estão a milhares de quilômetros de distância, nas bacias de águas anormalmente quentes nos oceanos Pacífico e Atlântico e no fenômeno El Niño, que apareceu excepcionalmente cedo em 2023. A mudança climática também poderia reforçar esses eventos extremos, contribuindo para as mudanças observadas nas condições oceânicas que favorecem a seca, embora os mecanismos envolvidos ainda sejam pouco compreendidos.

É inegável que o ciclo hidrológico da bacia amazônica está passando por grandes mudanças, e a questão agora é saber se os ecossistemas e as populações podem se adaptar.

De acordo com Bruce Forsberg, é provável que eventos extremos semelhantes afetem o sul do Brasil e outras partes da América do Sul. As condições na bacia amazônica têm um grande impacto sobre os padrões de chuva em milhares de quilômetros ao redor.

Para acessar o relatório --> AQUI.